FATORES GERADORES DE BULLYING NAS ESCOLAS

PALESTRA MINISTRADA NO I ENCONTRO SAÚDE - SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE E DA EDUCACAO DE SAO JOSÉ DO RIO PRETO - SP - BRASIL DATA - 30 e 31/03/2011 LOCAL - AUDITÓRIO DA UNIP Atualmente, muito se tem falado e discutido sobre o fenômeno BULLYING e suas conseqüências. Mas o que é realmente? Quais são os fatores que o geram? Como prevenir? Como identificar? Quais as conseqüências? A palavra BULLYING é derivada do verbo inglês BULLY, que significa intimidar alguém. Também adota aspecto de adjetivo, referindo-se a “valentão”, “tirano”. Bullying são atos repetidos de intimidação, deliberados, de um indivíduo mais forte contra outro mais fraco, objetivando dominação. Pode ser físico (com ou sem contato), verbal, emocional, racista ou sexual. É caracterizado por atitudes agressivas, intencionais e repetitivas ocorridas nas escolas, no trabalho, nas universidades, entre vizinhos e em diversos outros lugares. Esse comportamento se expressa de formas variadas, entretanto as mais comuns são: colocar apelidos, zombar, bater e discriminar as pessoas que se encontram em algum estado que expresse inferioridade, tanto física como mental. Embora seja um comportamento aparentemente comum, as informações sobre o assunto são escassas. Essa prática atinge aproximadamente 50% dos estudantes de ensino fundamental no Brasil, dados que englobam agressores, vítimas ou ambas as partes. Pesquisas revelaram que 5.482 alunos entre 5ª a 8ª séries de 11 escolas do Rio de Janeiro, mais de 40,5% admitem ter praticado ou ter sido vítimas de bullying. (IBOPE, 2007). As vítimas são os indivíduos considerados mais fracos e frágeis dessa relação, transformados em objetos de diversão e prazer por meio de “brincadeiras” maldosas e intimidadoras. Estudos indicam que as simples “brincadeirinhas de mau gosto”, hoje denominadas BULLYING, podem revelar-se em uma ação muito séria, causando desde problemas de aprendizagem até sérios transtornos de comportamento, responsáveis por índices de homicídios e suicídios entre estudantes. Infelizmente, o desconhecimento e a indiferença sobre o assunto fazem com que esse tipo de fenômeno mantenha um caráter oculto entre os profissionais da educação e entre os pais. As conseqüências geradas pelo bullying são observadas tanto no agressor, que se torna uma pessoa violenta com atitudes delinqüentes na sociedade, quanto na vítima, que pode se tornar uma pessoa recuada e com dificuldades de socialização, ao ainda tornar-se um usuário de drogas. Observa-se também o desenvolvimento de sintomas psicopatológicos – distúrbios decorrentes na psique que são refletidos no corpo – como depressão, perda da auto-estima e estresse. Podem revelar-se em uma ação muito séria, causando desde problemas de aprendizagem até sérios transtornos de comportamento, responsáveis por índices de homicídios e suicídios entre estudantes. Os atos de BULLYING entre alunos apresentam determinadas características comuns:  Comportamentos deliberados e danosos, produzidos de forma repetitiva num período prolongado de tempo contra uma mesma vítima;  Relação de desequilíbrio de poder, o que dificulta a defesa da vítima;  Não há motivos evidentes;  Acontece de forma direta, por meio de agressões físicas (bater, chutar, tomar pertences) e verbais (apelidar de maneira pejorativa e discriminatória, insultar, constranger)  De forma indireta, caracteriza-se pela disseminação de rumores desagradáveis e desqualificantes, visando à discriminação e exclusão da vítima de seu grupo social. O bullying pode ser praticado, também, de um professor para um aluno:  Intimidar o aluno em voz alta rebaixando-o perante a classe e ofendendo sua auto-estima.  Manipular a classe contra um unico aluno o expondo a humilhação.  Assumir um critério mais rigoroso na correção de provas com o aluno e não com os demais. Alguns professores podem perseguir alunos com notas baixas.  Ameaçar o aluno de reprovação.  Negar ao aluno o direito de ir ao banheiro ou beber água, o expondo a tortura psicológica.  Difamar o aluno no conselho de professores, aos coordenadores e acusá-lo de atos que não cometeu. Geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. Infelizmente, o desconhecimento e a indiferença sobre o assunto fazem com que esse tipo de fenômeno mantenha um caráter oculto entre os profissionais da educação e entre os pais. Esse desconhecimento a respeito do assunto também é responsável por uma série de mitos e equívocos que acabam por agravar ainda mais a ação violenta. Seguem alguns deles:  O bullying não afeta as crianças.  O bullying não traz conseqüências para a vida das crianças.  A criança que conta que alguém está praticando bullying com ele é delator.  A criança que sofre bullying deve retaliar (Lei da Selva).  A culpa é da vítima. Ela não sabe brincar.  A vítima é fraca, impopular, sensível demais. Chora sem motivo.  Passar pelo bullying torna a criança mais forte e preparada para a vida.  A criança que conta que está sofrendo com o bullying é fofoqueiro  Crianças devem enfrentar o bullying como homens.  O bullying é um ritual de passagem normal entre crianças e adolescentes.  Na nossa escola não há bullying.  O bullying não é importante. Temos problemas mais prioritários nessa escola.  Se aparecer casos de bullying vamos pensar no problema.  O problema é dos pais.  O problema é da criança. Crianças devem resolver o problema do bullying por si próprias. É nas escolas que dizem, aqui não há bullying, que você provavelmente encontrará bullying. Os fatores geradores de bullying podem ser individuais, familiares, escolares e/ou sociais. Dentre os fatores individuais podemos destacar os distúrbios de comportamento, dificuldades afetivas, insegurança, timidez, dificuldades escolares, abuso de drogas e álcool. Por outro lado, os pais, muitas vezes, não questionam suas próprias condutas e valores, eximindo-se da responsabilidade de educadores. O exemplo dentro de casa é fundamental. Modelos educativos errôneos, valores distorcidos, a falta de regras e limites, a permissividade, as brigas e conflitos em excesso e as críticas excessivas podem gerar raiva, insegurança e depressão, favorecendo o aparecimento das ações agressivas de bullying. O ensinamento de ética, solidariedade e altruísmo inicia ainda no berço e se estende para o âmbito escolar, onde as crianças e adolescentes passarão grande parte do seu tempo. Na escola, podemos apontar como principais fatores geradores de bullying as dificuldades em lidar com as diferenças, a falta de figuras de adultos que imponham autoridade e respeito, a falta de regras e limites claros, a falta de dialogo, etc. No aspecto social, o individualismo, cultura desses tempos modernos onde o ter é mais valorizado que o ser, tem provocado sérias distorções dos valores éticos e das regras morais. A própria cultura divulgada pelos meios de comunicação torna-se por vezes incentivadora da agressão quando, por exemplo, alguns programas humorísticos pegam como alvos de brincadeiras grupos de minorias como negros, obesos, anões, homossexuais, etc., tornando-os alvos de gozações que constrangem, humilham e depreciam suas características. Controlar o bullying nas escolas não é fácil. Porém, todas as escolas devem se esforçar para coibir e controlar essa prática agressiva. Professores precisam tempo, paciência e habilidade para lidar com crianças envolvidas em bullying e suas famílias. Neste contexto, é fundamental que haja suporte adequado para os professores, especialmente aqueles novos na profissão. O primeiro passo deve ser avaliar o entendimento que pais, alunos e professores têm sobre bullying e a freqüência com que ocorre o bullying na visão dos alunos e dos professores. A escola com uma política de “não bullying” faz a diferença. A política da escola deve ser para prevenir e não apenas para controlar o bullying. Devendo ser adotados três níveis de prevenção: enfocar as vítimas, as testemunhas silenciosas (que também sofrem) e os agressores. Pais, alunos e toda a escola devem sempre estar envolvidos nessa prática. Escolas em que há maior interação de professores com os pais, desfavorecem o bullying. A qualidade da relação professor-aluno, baseada no respeito e confiança mútuos, é importante. Escolas menores desfavorecem com supervisão permanente de adultos em todos os seus espaços e fisicamente bem tratadas desencorajam o bullying. Neide Aparecida Nery

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